quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Cirurgia em Maringá usa 'GPS' cerebral

Disponível apenas em hospitais de grandes centros, a exemplo de Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, um neuronavegador foi utilizado pela primeira vez no interior do Paraná, no início da semana, pela equipe de neurocirurgiões da Santa Casa de Maringá.
A utilização do neuronavegador nos casos em que os tumores cerebrais estão ‘escondidos’ ou muito profundos diminui o risco da cirurgia e proporciona ao paciente e à equipe médica mais segurança na realização do procedimento.
Em linguagem simplificada, o neuronavegador funciona como um GPS (sistema de posicionamento global) e mostra exatamente onde está o tumor.
O neurocirurgião Cármine Salvarani, que integrou a equipe responsável pela cirurgia, explica que o tumor do paciente operado era muito profundo e estava localizado na área correspondente à fala e à memória.
“O aparelho não interfere na técnica, mas refina o procedimento porque transmite ao cirurgião a posição exata do tumor dentro do crânio do paciente”, diz Salvarani.
A utilização de tanta tecnologia, no entanto, esbarra em duas condições: a indicação médica e o alto custo.
A justificativa da primeira é a dificuldade de localização do tumor por exames convencionais e já largamente utilizados, a exemplo da ressonância magnética, o que limita os casos que tornam sua utilização imprescindível.
De acordo com Salvarani, cerca de 10% das cirurgias de tumores cerebrais realizadas pela equipe são de difícil acesso. A segunda, o fato do equipamento custar mais de meio milhão de reais.
“A máquina em si não é cara. Caro é o programa de computador que faz a aquisição de imagens por meio da emissão de raios infra-vermelhos e laser e as traduz para o ato operatório”, destaca o médico.
A exemplo da prática recorrente nos hospitais que usam o neuronavegador com maior freqüência, o equipamento foi alugado pela Santa Casa para a cirurgia.
Salvarani acredita que, a médio prazo, o alto custo fará com que o neuronavegador seja utilizado apenas em procedimentos bancados por convênios médicos, caso do paciente operado em Maringá ou em tratamentos particulares.
Fonte: O Diário

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