terça-feira, 9 de setembro de 2008

Álcool a R$ 1,17 é fraudado, diz Sindicato dos Postos de Combustíveis

O presidente do Sindicado do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis), Roberto Fregonesi, afirma: álcool comprado da distribuidora a R$ 1,17 está adulterado ou sonega impostos.
A comparação é refutada por empresários de Maringá. Alheio à discussão da categoria e ao preço da distribuidora, o consumidor maringaense só sabe uma conta: ele é quem paga o preço mais caro pelo combustível na região noroeste do Estado.
Fregonese afirmou a O Diário que os estabelecimentos que apresentam nota fiscal de compra com valor inferior a R$ 1,17, por litro, podem estar sonegando impostos ou adulterando a composição do produto. "Hoje não existe álcool mais barato do que no Paraná", afirmou. "Se existir, é fruto de fraude, de sonegação fiscal ou outro ato ilícito".
De fora da discussão, a Associação dos Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), diz que não é possível determinar um valor referencial para o álcool vendido pelas distribuidoras no Estado, seja ele de grandes ou de pequenas empresas.
A partir da afirmação de Fregonese, 48% dos postos de Maringá, fiscalizados Agência Nacional do Petróleo (ANP), estariam cometendo irregularidades.
De acordo com o levantamento realizado pela Agência no dia 25 de agosto, 12 dos 25 postos pesquisados no município apresentaram nota fiscal de compra com valores inferiores a R$ 1,17, por litro. Os menores preços de compra apresentados na cidade foram de R$ 0,900 e R$ 0,905.
Para o consumidor, o litro do produto era vendido entre R$ 1,420 e R$ 1,489, na primeira semana de setembro. De acordo com Fregonese, para ser produzido no Paraná, o álcool custa cerca de R$ 0,76, por litro.
Com a incidência de três tributos - Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) - o litro do combustível chegaria a R$ 1,17, para o distribuidor. Fregonese explica que essas empresas revendem o combustível para os postos com um acréscimo médio de R$ 0,05 por litro.
Em Maringá, quem trabalha no setor discorda das afirmações de Fregonese. "A informação está errada. Eles (ANP) colocam o preço nominal do litro e não incluem frete", ressalta o empresário Rodolfo Dauguson, proprietário de um posto no Jardim Nilza, na saída para Umuarama. "O custo real do álcool hoje está entre R$ 1,08 e R$ 1,09", acrescenta. Para o empresário, a suposição de irregularidade não é verdadeira.
"Ele poderia passar pelo meu posto, pegar o combustível, fazer um exame e analisar as notas, para ver se eu estou fazendo alguma coisa errada", desafia o empresário.
Para Dauguson, o presidente do Sindicombustíveis provavelmente está dando informação sobre quem adquire de grandes distribuidoras, como a Esso e a Shell. Como nosso posto é de bandeira branca, conseguimos adquirir álcool por um custo um pouco menor", revela.
Fonte: O Diário

Nenhum comentário: