A fazenda Jaburiti, localizada no município de Perobal, distante 55 quilômetros de Umuarama, foi palco de momentos de tensão nesta quinta-feira (12), um dia após a área ser ocupada por cerca de 30 famílias de trabalhadores rurais sem-terra ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
A confusão começou quando o empresário Antonio da Purificação Marques, que diz ter a posse da propriedade, chegou ao local acompanhado de duas pessoas, uma delas, José Moreira de Souza, armado com uma pistola calibre 380 e a outra, Ademir Calixto, portando uma máquina fotográfica.
Os sem-terra dizem que sofreram ameaças, por isso, dominaram os três, tomaram a arma e mantiveram o trio detido no meio do pasto até a chegada da Polícia Militar (PM) no começo da tarde. Apenas Marques conseguiu fugir ao cerco dos sem-terra e se embrenhou no matagal, mas o carro dele ficou retido no acampamento. Os sem-terra exigiram que o carro fosse aberto pela polícia para uma revista completa, pois suspeitavam que houvesse outra arma de fogo no seu interior, porém, no início da noite o carro foi aberto e a polícia não localizou nenhuma arma.
Os dois amigos de Marques foram levados para a Delegacia da Polícia Civil em Umuarama e apenas Souza, que também é conhecido como “Terra Seca” foi autuado por porte ilegal de arma, mas acabou liberado porque, segundo a polícia, faltaram evidências de que a arma pertence e estava com ele. Terra Seca negou ser o dono da pistola. Afirmou que algum sem-terra jogou a arma perto para incriminá-lo.
A fazenda de 205 hectares fica na margem do Rio Goioerê e tem 150 hectares arrendados para o cultivo de soja. Os filhos de Marques, Wander e Wagner chegaram a propor uma ação na Justiça Federal reivindicando a posse definitiva da área, que eles alegam ter adquirido em 1989. Mas em dezembro passado a juíza federal substituta em Umuarama, Aline Lazzaron Tedesco, negou o pedido, já que a área é considerada devoluta e está situada na faixa de fronteira. A defesa de Marques já recorreu da decisão e disse que vai pedir a reintegração de posse.
Enquanto isso, os sem-terra querem forçar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a destinar a propriedade para a reforma agrária. Na sede da fazenda residem dois arrendatários. Assustados com a ocupação eles não quiseram se pronunciar.
Outra ocupação
O grupo que ocupou a fazenda Jaburiti é formado por desempregados das cidades de Perobal e Mariluz, mas também abriga algumas famílias que estavam na fazenda Santa Fé, em Cruzeiro do Oeste, uma área de 480 hectares ocupada em dezembro passado pelo mesmo grupo filiado à Contag. Eles afirmam que a Santa Fé igualmente está sob o domínio da União e do estado do Paraná, por isso, reivindicam a área para assentamento das 70 famílias que estão acampadas na sede da propriedade. Antônio de Jesus Alves e Rosângela Amaral Baylão Alves reivindicam a posse definitiva da Santa Fé e já obtiveram a reintegração de posse na Justiça, mas ela ainda não foi cumprida.
Fonte: Jornal de Maringá
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